3 de julho de 2012

por que voltei a escrever

percebi com a abertura deste espaço que meu silêncio perdurou quatro anos.

tinha como desculpa para não me pôr em palavras a) que não adiantava escrever sem ter para quem; b) que só podia escrever diante do teclado, porque pena evoluída não guardaria tão bem no meu e-mail aquilo que eu perco com facilidade, c) que não poderia fazê-lo à mão porque ela demora demais, me obriga parar, me diminui o ritmo de pensamento. o ridículo foi tanto, e a vergonha, quando a última desculpa para não se desenvolveu tanto em ótimo motivo como em solução.

eu sentia vontade ou necessidade ou impulso por voltar a escrever, e matutar por tanto o meio ao invés da mensagem levaria à falência de um eu-verbalizador, não fosse o estímulo, o apoio. eu precisava de alguém. eu queria que alguém lesse, ao mesmo tempo que não. e, independente disso, estava presente em minha vida algo maravilhoso, uma pessoa que dizia "escreva", e não "escreva pra mim", ou "escreva pra ele(a)(s)", ou "escreva por isso".

porque sim não é resposta?

eu precisava externar muito e a rede, social ou não, sugava a voz, me levava o discurso, tapava a garganta, distrações em toda tentativa. como um filho, não conseguia batizar o espaço que seria meu santo solo, meu altar de mim. é natural que este altar seja composto de tantos eus, tanto de mim, pois escrevo muito mais pra mim, hoje. é uma delícia ter você comigo, mas eu preciso demais de mim para que você seja minha prioridade, e - por isso sinto que meu altar de mim é importante - eu só me dou carinho aqui. 

nenhuma vida é mar de rosas, e a minha talvez tenha sido bem caderninho de colorir, todo branco com figuras delimitadas até que um dia descobri o arco-íris. reinaram sobre mim maus exemplos. os arquétipos que me foram mais presentes durante o processo de formação foram aqueles do que não devo seguir, que conscientemente sabia "isso é o que não devo fazer quando na mesma situação" e não os que "queria ser quando crescer". tenho plena certeza de que isso foi a base de um repúdio por todas as palavras com prefixo ego, uma eterna luta para não ser ou me sentir egocêntrica ou egoísta, principalmente. não materialista. não fútil. não consumista. não.
querendo não tão conscientemente assim ser uma pessoa extremamente boa, eu me esqueci. deixei de me preocupar comigo, de ter medo por mim, de me prezar. tudo aquilo em mim que eu fiz questão de manter por anos, e do qual sinto saudades, era o que me ligava às pessoas que amava ou amo. percebi, nesses quatro anos, ter sido os outros mais que eu. eu me quero de volta. não é uma questão de saber quem eu sou, é o satisfazer-se consigo e se considerar boa companhia para si.

não quero me cobrar a consciência plena de mim, mas eu me perdi e isso é um fato. também pudera, com tanta bala perdida por aí, por que logo eu teria que me achar amanhã?


não quero um blog literário, ou geek, ou crítico social, ou jornalístico, ou modista, ou gastronômico, ou qualquer temático. mudo muito para isso. estações do ano talvez sejam um paradigma - e eu tô falando das quatro, não das que São José do Rio Preto manifesta. não quero me delimitar no texto, nem em mim. mesmo que o único assunto deste lugar fosse ser eu mesma, isso não significa que não caiba um mundo nestes braços, significa?

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