16 de julho de 2012

não se pode fugir de si

estes olhos pousaram vezes o suficiente ao seu redor para que pudesse ser feita uma análise razoável. não... sobrevoaram, pois não havia onde pousar.

ela era uma confusão materializada, tão palpável que mal percebia que tinha se imposto. não foi apenas ali. em todos os seus ninhos que meus olhos tiveram a oportunidade de sobrevoar, ela estava lá, saía e estava ainda lá. o amontoado de emoções com as quais ela não sabia lidar a seguia de todas as formas, prejudicava-a e ela não via, prejudicava ao próximo e ela não via. como se não estivessem ali nenhuma de suas tempestuosas projeções.
um casinha pequena alugada, uma edícula, uma casa bem grande, um apartamentozinho num refúgio em outro estado, uma outra casa - dupla - bem grande, uma outra dupla casa bem grande, um apartamento mais duas casas duplas bem grandes... tudo cheio dela. imóveis repletos, impregnados, abarrotados por tudo aquilo que ela tinha dentro de si. ela não sabia lidar com isso. continua sem saber lidar com isso.

eu vejo.

só que ela não, nem via sua trincheira, nem a altura destes muros, nem as pessoas do outro lado. não vê como estas cortam as mãos e os pés e a mente e o coração tentando tocá-la. não vê que está isolada ao rodear-se de tanto de si. ela transborda incessantemente aonde quer que vá e não vê a enxurrada, este maremoto, carregar as pessoas pra longe de si, com os movimentos de seu eu-bermudas, contaminadas por uma falta de vontade de viver, de... 
ela bem que tentava, mas não conseguia perceber que ao redor de si mesma ela tinha materializado todo seu dentro. atribui, assim, a culpa ao mundo de sentir-se sozinha, um cão que não percebe que o rabo atrás do qual tanto corre é seu.

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